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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Os dois monges - um conto



“Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles. A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com seus olhos muito grandes.

– Oh – ela disse -, a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês podem me carregar até o outro lado do rio?

E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem.

O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não deveriam se envolver com mulheres. Então, ele a ignorou e atravessou o rio. Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio. Depois os dois monges continuaram caminhando pela estrada.

Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos. Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.

– Ora, ora – disse o velho monge. – Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.

E, dando de ombros, continuou a caminhar.”

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sobre noções e idéias


"O Tempo revelando a Verdade" - obra de Detroy (1733)


Pra variar um pouco, aqui vai uma história interessante para se refletir a respeito das nossas noções e idéias.

"Um jovem comerciante ao voltar pra casa viu que ela foi atacada e incendiada por bandidos. No que seria o lado de fora da casa destruída, havia um pequeno corpo carbonizado. Ele pensou logo que aquele corpo pertencia a seu filho. Ele não sabia que, na verdade, seu filho estava vivo e nem que, após incendiarem a casa os bandidos levaram-no junto com eles. Naquele estado de confusão o jovem comerciante acreditou que o corpo que ele estava vendo era o de seu filho. Então, ele chorou, bateu no peito e arrancou os cabelos lamentando sua perda – e assim preparou a cerimônia de cremação.

Esse homem amava muito esse filho, era a sua razão de viver. Tanto que, mesmo depois da cremação, ele não conseguia abandonar as suas cinzas nem só por um momento. Mandou fazer uma bolsa de veludo, pôs as cinzas dentro e a carregava dia e noite. Mesmo trabalhando ele não se separava delas. Mas eis que, uma noite, seu filho conseguiu fugir dos bandidos e voltou para casa reconstruída. Às duas horas da manhã ele bateu na porta muito feliz por estar de volta. O pai acordou e ainda segurando a bolsa com as cinzas perguntou: “Quem está aí?”.

“Sou eu. Seu filho!” Disse o garoto atrás da porta.

“Você, seu teimoso, não é meu filho. Ele morreu três meses atrás. Eu carrego as suas cinzas aqui comigo”.

O garotinho continuou ainda por um tempo a gritar e a bater na porta, mas seu pai continuou se recusando a deixá-lo entrar. O homem estava firmemente agarrado à idéia de que seu filho já estava morto e que esse outro menino era uma pessoa sem coração que veio somente para atormentá-lo. Finalmente, o menino desistiu e foi embora e o pai perdeu o filho para sempre.

Um velho mestre costumava dizer que se você se deixar apanhar por uma idéia e passa a considerá-la como “a verdade”, você perderá a chance de conhecer a verdade.

Mesmo se a própria verdade em pessoa vier e bater à sua porta, você se recusará a abrir a sua mente.

Portanto, se você estiver comprometido com uma idéia acerca da verdade ou acerca das condiçõs necessárias para a sua felicidade, tome cuidado."


Mestre Zen Thich Nhat Hanh;
extraído de http://arandoamentefertil.blogspot.com/2010/10/armadilha-das-nocoes.html

domingo, 3 de outubro de 2010

Bruce Lee - um cara especial



Estes vídeos são bem interessantes por mostrarem um lado do Bruce que muita gente desconhece. Os fãs casuais podem não saber, mas além de ser um lutador exímio, ele era formado em filosofia e tinha um pensamento bem a frente de sua época.

Tanto que o Jeet Kune Do ('Caminho do punho interceptador) arte marcial criada por ele, é mais uma filosofia de luta do que propriamente um estilo marcial. Bastante influenciado pelos conceitos do taoísmo, do budismo Zen, além de pensadores como Krishnamurti, o ideal de Lee era um "estilo de luta" que propiciasse liberdade total ao praticante para que se expressasse totalmente enquanto indíviduo, em seus movimentos e posturas.

Para se entender exatamente este ideal, recomendo a leitura do livro "O Tao do Jeet Kune Do", onde Bruce Lee demonstra suas conceitos e idéias bastante diferenciadas e até mesmo revolucionárias. Seu lema era "No way as way, having no limitation as limitation" (Tendo caminho algum, como caminho e tendo nenhuma limitação como limitação), o que pode levar alguns a pensar que não é necessário aprender nada, que tudo é válido e bom. Ledo engano, pois segundo o mestre Lee, o conhecimento é essencial para a obtenção da liberdade, a verdadeira liberdade, que seria não necessitar ficar preso, restrito apenas a um molde específico, a um estilo só.

Idéias bastante interessantes de um cara especial, que considerava que a perfeição da expressão corporal, da luta, passa pela claridade da mente e pelo liberdade do espírito. Saiba mais nos videos abaixo: